2017.11.23—2018.01.20
QAXXX (P3) / QAXXX (P4)

QA XXX (P3)
24 Novembro 2017 - 20 Janeiro 2018
Inauguração: 23 Novembro, 22 horas
Galeria Quadrado Azul | Lisboa
    

QA XXX (P4)
25 Novembro 2017 - 6 Janeiro 2018
Inauguração: 25 Novembro, 16 horas
Galeria Quadrado Azul | Porto
    

Ana Santos | Arlindo Silva | Artur Barrio | Francisco Tropa | Gonçalo Sena | Hugo Canoilas | Isabel Carvalho | Isabel Ribeiro | José de Guimarães | Paulo Nozolino | Pedro Tropa | Rigo | Zulmiro de Carvalho 
  
Curadoria de Miguel von Hafe Pérez


      
Depois de em Novembro do ano passado se terem dado início às comemorações do trigésimo aniversário da Galeria Quadrado Azul, com as exposições QAXXX P1 e P2, respectivamente nas galerias de Lisboa e Porto, apresenta-se agora o segundo momento dessas comemorações com as exposições QAXXX P3 e P4.

 
Se nas primeiras o comissário convidado, Miguel von Hafe Pérez, trabalhou a partir de obras do acervo da Galeria, nas exposições que agora se vão inaugurar, a metodologia seguida parte de um pressuposto diferente. Assim, uma seleção dos artistas da galeria foram instados a responder a um desafio do curador lançado em forma de texto-manifesto e que agora se transcreve:
    

    
O QUE PODE A ARTE?

    
Vivemos uma encruzilhada civilizacional. São inúmeros os fatores para uma apreensão tensiva da realidade: das alterações climáticas ao rebaixamento até ao grau zero da política enquanto instrumento de governabilidade sensível e sensata, da impotência perante um terrorismo atomizado, individualista e fanático, passando pela imposição de um capitalismo desregrado e da crescente digitalização das relações interpessoais, tudo converge para um sentimento de inquietude mais ou menos generalizado.

    
A criação artística convoca de forma mais ou menos literal esse confronto com a realidade envolvente, quer seja por adesão como por distanciamento crítico. Por vezes confundimos aquilo a que falsamente se intitula como arte política com aquilo a que se deveria antes apelidar de arte panfletária. A arte será sempre, na sua máxima expressão, um gesto político.   

   
Político no sentido de inscrição deliberada no universo das imagens e ideias já criadas. Ao querer acrescentar a esse universo o artista já está a assumir uma posição (quanto mais não seja, no regime “político” das imagens). Político, porque numa sociedade que se idiotiza a uma velocidade vertiginosa, afirmar-se enquanto artista é, desde logo, uma assunção de coragem, quando não exclusivamente pensada como mecanismo de valorização material ou social.

    
Quem se lembra de uma televisão pública que transmitia conversas de mais de uma hora com Hannah Arendt ou Gilles Deleuze? Onde estão os artistas e os intelectuais quando se debatem no espaço público questões fundamentais da nossa contemporaneidade? Cada vez mais confinado ao rarefeito espaço dedicado à cultura, esta espiral tem vindo a desmerecer aqueles que mais incisivamente nos sabem conduzir por um universo mais atento às questões que se podem levantar do que à facilidade de respostas iníquas e facilmente inteligíveis.

    
Por vezes pergunto-me porquê. Por vezes pergunto-me se vale a pena. E, essencialmente, pergunto-me se não me ando a enganar. Depois penso que o facto de me questionar talvez demonstre alguma clarividência e humildade que não deixam de ser necessárias para manter um estado de atenção crítica perante aquilo que me rodeia.

    
Creio que não estarei muito errado se pensar ser extensível este tipo de indagação mais ou menos existencial à prática individual que enquanto artistas vão mantendo. E daí decorre a questão: o que pode a arte? Sem querer respostas, lanço, isso sim, este desafio: a possibilidade de apresentarem trabalho(s) inéditos para a exposição que fechará o ciclo comemorativo da Galeria Quadrado Azul. O contexto não será o mais adequado, dirão. Mas, como creio ter ficado demonstrado nas duas exposições que iniciaram este ciclo, por vezes uma galeria pode criar esse contexto, exatamente na medida em que as obras expostas se afirmem com pertinência que não necessariamente comercial.   

    
Miguel von Hafe Pérez

Gonçalo Sena, 2028, 2017. Cartão, cola branca e ossos de choco. Dimensões variáveis. Galeria Quadrado Azul Lisboa. Créditos da Imagem: João Ferro Martins 
Vista da exposição QAXXX (P3), Galeria Quadrado Azul Lisboa. Créditos da Imagem: João Ferro Martins 
Vista da exposição QAXXX (P3), Galeria Quadrado Azul Lisboa. Créditos da Imagem: João Ferro Martins 
Vista da exposição QAXXX (P3), Galeria Quadrado Azul Lisboa. Créditos da Imagem: João Ferro Martins 
Isabel Carvalho, Le Monde Diplomatique IC/CB, 2014-2017. Gravura s/ acrílico. 29,7 x 42 (x9). Galeria Quadrado Azul Lisboa. Créditos da Imagem: João Ferro Martins 
Francisco Tropa, Sem título, 2017. Bronze pintado a óleo. Galeria Quadrado Azul Lisboa. Créditos da Imagem: João Ferro Martins 
Pedro Tropa, Antena-Árvore,, 2017. Zinco pintado, cartão e madeira,arame pintado,cavaletes em ferro pintado e tampo em MDF pintado. Galeria Quadrado Azul Lisboa. Créditos da Imagem: João Ferro Martins 
Paulo Nozolino, Vista da exposição QAXXX (P3), Galeria Quadrado Azul Lisboa. Créditos da Imagem: João Ferro Martins 
Artur Barrio, Vista da exposição QAXXX (P3), Galeria Quadrado Azul Lisboa. Créditos da Imagem: João Ferro Martins 
Vista da exposição QAXXX (P3), Galeria Quadrado Azul Lisboa. Créditos da Imagem: João Ferro Martins 
Vista da exposição QAXXX (P3), Galeria Quadrado Azul Lisboa. Créditos da Imagem: João Ferro Martins